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Dezembro Laranja: dermatologista ensina como evitar o câncer de pele

No dia 22 de dezembro começa de fato o verão. Em um país tropical como o Brasil, um dos grandes desafios nesta época é aventurar-se sob o sol, na praia, na piscina ou em atividades ao ar livre, com a devida segurança. Não à toa, desde 2014 o mês de dezembro tem como símbolo a cor laranja, um chamado à prevenção do câncer da pele, doença de alta incidência no país. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) mostram que a cada ano são diagnosticados 180 mil novos casos da doença. A exemplo do que fez ao longo de 2019 com outros temas de saúde, como o Outubro Rosa, o Novembro Azul e o Dezembro Vermelho, a CAASP engaja-se agora na Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele – o Dezembro Laranja. Na entrevista a seguir, a médica dermatologista Sandra Regina Soler (foto), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, comenta os efeitos do sol na pele e ensina como evitar queimaduras, insolação, envelhecimento precoce e o câncer de pele. CAASP: Como os raios solares agem positiva e negativamente na pele? Sandra Regina Soler: Existem três tipos de raios na estratosfera que atingem a nossa pele: o ultravioleta A, o ultravioleta B e o ultravioleta C. Tanto o UVA quanto o UVC são raios de ação constante na pele. Já o UVB incide mais entre 10h e 15h, ele é o raio mais responsável pelo câncer de pele. Por essa razão é que se pede às pessoas para tomarem sol antes e depois dessa faixa de horário. Isso não quer dizer que o UVA e o UVC não podem causar câncer de pele. Eles também podem ter esse efeito, mas, em geral, o que provocam é o envelhecimento da pele. O sol tem um efeito acumulador na pele. Então, aquele sol em excesso tomado na infância e na adolescência pode trazer danos no futuro, porque o sol altera o DNA da célula, então quanto mais sol você toma, mais esse sol danifica a sua célula. O cuidado deve ser maior com as crianças, não? A criança não é um adulto em miniatura. Ela é mais sensível, então a sua célula é mais fácil de ser lesada e, no futuro, vamos ver os problemas dessa lesão. Diariamente a gente produz células cancerígenas, mas nós temos vigilantes que matam essas células, fazem o controle. Quando a gente tem um dano celular, a gente perde esse controle - é quando começam a aparecer as lesões do câncer de pele. Com o envelhecimento as células tem dificuldade de fazer esse combate. Além do câncer, o envelhecimento da pele é um fator negativo da exposição ao sol. Nossas avós, por exemplo, por andarem muito mais cobertas do que nós nos dias de hoje, envelheciam e, com exceção do rosto e dos braços que ficavam expostos ao sol, tinham o restante do corpo com pele lisa, sem manchas e sem rugas. A radiação ultravioleta também danifica o nosso DNA, enfraquecendo a resposta imune da pele. Os efeitos disso são sardas, melasmas (manchas escuras na pele), herpes. Porém, o sol não é só ruim. Nas crianças ele é fundamental para o desenvolvimento dos ossos, e nos adultos na prevenção do raquitismo, da osteoporose. Além disso, o sol influencia diretamente no nosso humor e o contato com seus raios tem ação antidepressiva. Estudos indicam que os países muito ao norte são recordistas em suicídio pela baixa incidência de sol. Esses efeitos negativos atingem com maior ou menor intensidade grupos específicos? A depender da cor da pele, sim. Existem seis tipos de pele. O tipo 1 é o ruivo, a pele mais branca que conhecemos. Essa é a pele com maior chance de desenvolver câncer de pele e de envelhecer mais rápido. O tipo 6 é o negro retinto. Essa pele oferece aos negros uma proteção natural contra o sol, então as chances de câncer diminuem assim como os efeitos do envelhecimento. No entanto, isso não quer dizer que a população negra não desenvolva câncer de pele. O câncer de pele nos negros é induzido pela genética, não pela influência do sol. As luzes artificiais também causam danos à pele? Quais? Pois é, antes achávamos que só os três tipos de raios solares é que eram importantes e causavam algum efeito na pele. Hoje sabemos que a luz visível (toda luz que enxergamos a olho nu, como as emitidas pelas lâmpadas artificiais, celular, televisão e computador) e o infravermelho também têm ação na pele. No caso de cânceres, as pesquisas ainda não são totalmente conclusivas. É por isso que hoje em dia os filtros solares, em maioria, têm cor. A cor é a única coisa capaz de bloquear esse tipo de luz. Acontece que homens não costumam usar filtros com cor. Hoje, temos alguns filtros sendo feitos com uma substância chamada polypodium leucotomos, ela tem ação de proteção contra luz visível e é incolor. Mas isso encarece o protetor. A gente vê também um movimento nessas grandes empresas de tecnologia, onde os funcionários usam durante os expedientes óculos com lentes de proteção de luz visível, mesmo aqueles que não possuem problemas de visão. Como equilibrar saudável exposição ao sol e proteção? A exposição ideal, aquela em que nem o filtro solar precisaria ser usado, é pela manhã, em torno de 15 a 30 minutos por dia. A questão é que a gente não fica só 30 minutos debaixo do sol. Nós fazemos uma série de atividades que nos expõe ao sol por mais tempo e em horários inapropriados. Aí entra o filtro solar. Os últimos estudos da área mostram que para que não ocorra um dano celular na pele capaz de gerar câncer é necessário fazer uso de um protetor de no mínimo fator 30, com aplicações a cada duas horas. Isso, para adultos. Crianças com menos de um ano só podem tomar aquele banho de 15 minutos recomendado pelo pediatra, que visa ao desenvolvimento dos ossos. Mas se ultrapassar esses minutos, o bebê pode desidratar e até morrer. O que é exatamente o “fator de proteção” (FPS) de um protetor solar?  Diz respeito ao nível de proteção que um protetor é capaz de oferecer. Um filtro fator 30 tem 92,5% de proteção contra o sol. Um filtro fator 50, tem 95% de proteção. Agora, você pode pensar que não vale a pena pagar mais caro pelo protetor fator 50, afinal, são só 2,5% a mais de proteção. Só que depois de duas horas o fator 50 passou a ser fator 30. Já o fator 30, passou a ser 15. O filtro 100 daqui a duas horas virou 50. Daqui a quatro horas virou fator 30. Isso acontece porque você transpira e não existe filtro à prova d´água. Existe filtro resistente à água. Porém, para que um FPS 50 tenha fator 50 mesmo, você precisaria passar no rosto, por exemplo, uma colher de chá do produto. Mas sabe o que acontece se você passar essa quantidade no rosto? O rosto fica branco. Então, as pessoas não passam essa quantidade, elas passam menos e esticam essa pequena quantidade pelo rosto, diminuindo o fator de proteção. Além disso, é muito comum usar um tubo inteiro para uma família inteira. Mas um tubo de 100ml de filtro solar serve para quatro passadas no corpo inteiro de uma pessoa adulta. Então, num único dia de praia, das 8h às 16h, uma única pessoa usaria um tubo inteiro.  Uma coisa interessante de citar é que na praia a pessoa acredita que, por estar dentro d´água, não está pegando sol. Mas o raio do sol vai até meio metro de profundidade, então mesmo dentro d´água o banhista está sendo atingido pelo sol. Outra cosia é que a areia da praia reflete o sol. Outra curiosidade nesse sentido é que, quando o filtro solar apareceu, o câncer de pele aumentou. Os primeiros filtros só protegiam dos raios ultravioleta A, que deixam a pele avermelhada e ardente. Como com a chegada do filtro as pessoas não sentiam mais essa ardência, elas continuavam debaixo de sol e terminavam desenvolvendo câncer de pele. Descobriu-se posteriormente o efeito do UVB na pele e desde então, além do FPS, que protege contra raios A, os protetores vem com proteção PPD. A Anvisa proíbe a venda de filtros sem essa proteção, mas é sempre bom o consumidor conferir. Então, protetores que prometem fator de proteção 100 nos enganam? Hoje a Anvisa proíbe esse tipo de informação no rótulo - tem que ser 99% -, porque dá uma falsa impressão ao consumidor de que ele está 100% protegido, quando não está. Na verdade, o consumidor está 98,5%, com um filtro 100. Qual a diferença do protetor solar para o rosto e para o corpo? Cosmeticamente o protetor para o rosto é mais bem feito, não é comedogênico (produtos que causam comedões – cravos e espinhas) e não gera mais oleosidade para a pele. Mas sua ação protetora é a mesma. O único problema é que ele é mais caro. Importante ressaltar que a legislação já assegura à população o direito de retirar no SUS (Sistema único de Saúde) protetor solar fator 30, sem necessidade de receita médica. Quais outras medidas são eficazes para prevenir queimaduras solares e cânceres de pele? Além das já mencionadas, ficar à sombra e usar roupas UV ou escuras. As roupas UV tem uma trama de fios tão fechada que impede os raios do sol de chegarem a pele, e a roupa escura reflete de volta o sol. Além disso, óculos de sol com proteção, porque o olho também pode vir a desencadear câncer de pele, principalmente o do tipo melanoma, que é o mais grave. O Roberto Leal (cantor português morto em setembro deste ano) morreu por causa do agravamento de um melanoma ocular, desencadeado por sol ou por luz visível. Ao sol, é importante também evitar o consumo de limão, abacaxi, perfumes e maquiagem. Essas substâncias são fotossensíveis e, quando entram em contato com a pele e expostas ao sol, permanecem por até seis horas. Quantos tipos de câncer de pele existem? Dentre aqueles induzidos pelo sol, temos o carcinoma basocelular - que  é um dos mais frequentes e quem tem uma malignidade local; tem o carcinoma espinocelular, que já é mais agressivo, mas ainda assim curável desde que diagnosticado precocemente; e temos o melanoma, que é um tumor maligno, também induzido pelo sol, mas que tem como característica a prevalência genética familiar. Por isso o melanoma costuma derivar de pintas pré-existentes, não necessariamente expostas ao sol. Esse tumor tem cinco estágios e se desenvolve muito rápido. Nos estágios 1 e 2 há chances de cura de 70%. No 3, as chances já diminuem para 50% e então só tendem a cair mais, e daí decorre a importância do diagnóstico precoce. A predisposição genética para os cânceres de pele se dá, primeiro, pela cor da pele, depois pelos hábitos - usar ou não o protetor e a quantidade de banhos de sol tomados desde a infância. No que consiste o método ABCDE de avaliação de casos suspeitos de câncer? Como o próprio nome já sugere, o método se divide em cinco etapas, em que cada letra representa uma etapa da avaliação. A, Assimetria; B, Borda; C, Cor. D, Dimensão; E, Evolução. Portanto, toda pinta que não for similar de um lado e outro, que tiver as bordas indefinidas, muita variação de cor, que forem muito grande e que mudam ou deformam com o passar do tempo, é uma pinta de risco e precisa ser avaliada por especialista. 
11/12/2019 (00:00)
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