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Projeto Mãos emPENHAdas é mais uma iniciativa no combate à violência doméstica

Programa conta com a colaboração de profissionais de beleza.       Profissionais que trabalham em salões de beleza e que ouvem relatos e identificam agressões pelo corpo da mulher, munidos de informações, podem orientar vítimas na busca por ajuda. Foi pensando nisso que a juíza Jaqueline Machado, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, desenvolveu o projeto Mãos EmPENHAdas, que capacita funcionários de salão para orientar clientes que sofram violência doméstica, com base na Lei nº 11.340/06, a Lei Maria da Penha. Abraçando a ideia, o Tribunal de Justiça de São Paulo esteve, na manhã desta quinta-feira (11), no Salão Jacques Janine Morumbi para o primeiro encontro com profissionais paulistas.     O juiz Vara da Região Leste 3 de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Fórum Regional de Itaquera, Mário Rubens Assumpção Filho, contou que o programa serve para pulgar a rede de atendimentos às vítimas: “Temos, por exemplo, no Butantã, um Centro de Defesa e de Convivência da Mulher (CDCM). Muita gente da própria região desconhece a existência desse local. A pessoa pode procurar uma Delegacia da Mulher, algumas com funcionamento 24 horas por dia; ir ao Ministério Público; procurar o Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres (Nudem), pertencente à Defensoria Pública e que recebe requerimentos de medidas protetivas. Há endereços, telefones e até aplicativos de celular, são muitas as opções de acolhimento e defesa de vítimas em situação de risco”.     A promotora de Justiça Maria Gabriela Prado Manssur, também presente, disse que o projeto tem um potencial muito grande, porque é mais um espaço em que as mulheres podem ser acolhidas, informadas e salvas. “Estamos aqui para reunir pessoas empenhadas em salvar vidas. Clientes fidedignas vêm com frequência ao cabeleireiro e se sentem em casa. Os profissionais do salão acabam sendo pessoas com as quais elas criam elo de confiança e intimidade, quebrando formalidades. Vocês conhecem a personalidade dessa mulher e notam quando ela começa a mudar, a se esconder, se isolar, se diminuir. Esses podem ser sinais de uma violência psicológica. Ela pode até não estar machucada fisicamente, mas está diferente do ponto de vista da autoestima. Qual seria o papel de vocês nesse momento? Ouvir e dar sugestões. O primeiro passo é não julgar. O segundo é indicar saídas, informando sobre as redes de apoio”.     Embaixadora do projeto em São Paulo, a modelo Jessica Aronis, que ano passado denunciou agressões do ex-marido, falou que a violência psicológica rouba a essência da pessoa, uma vez que a vítima é manipulada a fazer o que não quer e a ser uma pessoa que não é. “Muitas vezes, a mulher não percebe que está passando por situações de violência doméstica. Somos convencidas pelo agressor de que estamos erradas e merecemos aquilo. Ler relados de outras que passaram pelas mesmas situações me ajudou muito e é por isso que estou aqui hoje”, disse.     Roger Ajouri, proprietário do Jacques Janine Morumbi e apoiador do projeto, afirmou que “a troca de informações, experiências e ideias geram um movimento interno no inpíduo, capaz de transformar a realidade. Através de conversas em ambientes que motivam mulheres a falar, como salões de beleza, enxergamos uma oportunidade para que elas apresentem suas queixas e obtenham respostas efetivas, criando uma rede de apoio”.     Saiba a quem recorrer em casos de violência de gênero e conheça o programa Tem Saída.            imprensatj@tjsp.jus.br
12/04/2019 (00:00)
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